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Favelas no Rio de Janeiro – saiba como surgiram

Favelas no Rio de Janeiro – saiba como surgiram

A cidade do Rio de Janeiro é mundialmente conhecida pela grande quantidade de favelas. Mas você qual a origem das favelas? Como se deu esse tipo de habitação? Temos um texto que aborda o conceito histórico desse tema. Leia nosso post sobre Favelas no Rio de Janeiro.  

FAVELAS NO RIO DE JANEIRO

O tema das favelas no Rio de Janeiro tem relação à Guerra de Canudos (1896-1897), que foi uma batalha entre o Exército Brasileiro e membros de uma comunidade religiosa em Canudos, interior do estado da Bahia.

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Após a vitória na guerra, os soldados do exército regressaram ao Rio de Janeiro em 1897. Infelizmente esses soldados não receberam o salário prometido e tiveram que instalar-se em morros pela cidade.  

Leia aqui sobre a História do Rio de Janeiro

Foram construídas casas de madeira nos morros, e nesse local existia um tipo de arbusto idêntico aos arbustos de onde os soldados estavam alojados na Bahia, a chamada “favela”, extremamente resistente a seca, da família Euphorbiaceae

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Esse morro ficou conhecido como Morro da Favela. O termo favela tornou-se conhecido na década de 1920, pela característica das habitações existentes nos morros.  

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O governo em certo modo, aceitou essas construções irregulares já que não havia verba para a construção de melhores habitações. Posteriormente o local passou a ser chamado de Morro da Providência (está próximo ao Cais do Valongo). Este morro é considerado por muitos pesquisadores como “a favela mais antiga da cidade do Rio de Janeiro”. 

OUTRO FATOR HISTÓRICO

Outro fator determinante na origem das favelas foi a reforma realizada pela gestão do prefeito Pereira Passos, após a Proclamação da República (1889) e com o apoio do presidente no período.

A ideia dessa reforma era acabar com os vestígios do período colonial na cidade. As habitações que existiam eram os chamados cortiços, onde residiam várias famílias, em péssimas condições de higiene.  

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Essas construções foram totalmente destruídas, dando espaço a uma cidade mais limpa e organizada. As pessoas que ficaram sem suas casas, tiveram que migrar para os morros nas regiões centrais da cidade, novamente o Morro da Providência e o Morro do Santo Antônio em 1893.

Morando perto da região central da cidade, as pessoas estavam próximas ao seu local de trabalho, e o transporte na cidade não chegava até as zonas periféricas.  

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DETALHE

Você sabia que até o final do século XVIII os morros eram chamados de Bairros Africanos? Isso porque com a Abolição da Escravatura ainda existiam condições desiguais para os ex escravos e eles passaram a habitar os morros.  

MORROS NA ZONA SUL

Nessa onda de modernização dos espaços mais frequentados da cidade, muitos morros na zona Sul da cidade foram habitados pela população desfavorecida, perto da “elite carioca”.

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Alguns dos morros perto das praias já começaram a ser habitadas em 1907, como exemplo do Morro da Babilônia (entre a Praia do Leme e Praia Vermelha). Em 1912 surgiram comunidades em Copacabana e Botafogo.  

PLANO DE TRANSFORMAÇÃO

O arquiteto francês Alfred Agache, no ano de 1927 apresentou ao poder público um plano de urbanização para a cidade do Rio de Janeiro. Esse projeto previa transferir os moradores dessas comunidades em razão de vários aspectos, principalmente o social e estético. Foram consideradas algumas partes do projeto e nesse período foram removidas várias comunidades.  

CONJUNTOS HABITACIONAIS

Na década de 1930 surgiram vários conjuntos habitacionais em outras zonas da cidade, que era uma opção de moradia a população desfavorecida de renda. Por estarem localizadas em uma área mais afastada do centro da cidade, surgiram movimentos sociais da população na busca de ações de melhoria.  

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Até 1975 houveram várias tentativas de remoção das comunidades e a realocação dessa população para as unidades habitacionais. Após a suspensão do plano de erradicação das comunidades, não foram criadas novas políticas no tema das comunidades e desde então ficaram fora dos planos de melhoria do poder público. 

Nesse cenário é que a questão do narcotráfico e violência tomaram conta das comunidades do Rio de Janeiro, tornando esses locais ainda mais marginalizados.

DECISÃO DO PODER PÚBLICO

Em 1990, foi quando o poder público encarou a consolidação dessas comunidades. Decidiu-se estudar maneiras de urbanizar e melhorar as “favelas”, no lugar de apenas acabar com elas.  

VALE EXPLICAR

Para o Censo Demográfico apenas em 1991 o conceito de “aglomerado subnormal” foi utilizado. Esse termo é utilizado para identificar assentamentos irregulares existentes no país. Isso inclui, áreas invadidas, vales, comunidades carentes, cortiços, palafitas entre outros.  

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Na cidade do Rio de Janeiro existem os chamados “complexos de favelas”. São os aglomerados de várias comunidades muito próximas. O Rio de janeiro possui 763 unidades de aglomerados subnormais.

Também no estado acontece a existência dessas comunidades nas áreas nobres e centrais. Isso não ocorre com tanta frequência em outros locais do país. Com isso, é possível identificar a forte desigualdade social. 

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Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, mais de 1.300.000 pessoas vivem em comunidades no estado do Rio. A capital do Rio de Janeiro é o local com maior número de pessoas vivendo em comunidades do país. O número de habitantes em comunidades passa dos 10 milhões de pessoas em todo o país.  

AÇÕES DE MELHORIAS NAS COMUNIDADES

No ano de 1993 a prefeitura do Rio de Janeiro, criou o plano Favela-Bairro. Consistia em empresas privadas que trabalhavam em projetos de integração das comunidades com os bairros onde estavam inseridos.

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São melhorias de infraestrutura como água encanada, coleta de lixo, iluminação pública e etc. O projeto aconteceu em cerca de 150 comunidades. Ainda segundo o IBGE, atualmente em quase todas as comunidades acontecem ações.

Envolvem o poder público, de empresas privadas e ONGs na busca da melhoria de vida dessa parte da população. Estudos da ONU, apontam que o número de aglomerados subnormais e pessoas vivendo nesse tipo de área só aumenta e deve chegar até 1,4 bilhões de pessoas este ano de 2020.  

Agora que você já conhece o contexto histórico das comunidades, conta para gente o que você acha!

DICA

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